Recife

Recife
Recife. Foto Rainner Arthur

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Poesias de Meu Pai - Soneto

Ao Valter Fernandes

A propósito do seu livro “Retalhos da Vida”

 
Ouvi um grito ecoando na multidão,

Uma lágrima, um lamento, um conflito.

Mais que uma dor, era o rasgo de um grito

De quem sentiu ferido o coração.

 
Vaguei entre os sonhos de um homem aflito,

Entre uma esperança e uma ilusão.

Águas claras, lixo e poluição.

Canto de amor num coração contrito.

 
Sonhos de paz, luz e de esperança,

Para a amada que dorme no seu peito,

Para o filho que sempre será criança.

 
O bardo quando dorme no seu leito

E os anjos lhe despertam a confiança,

Ele canta em RETALHOS o seu feito.

 

José Florêncio Teixeira
25 de Janeiro de 2016

Poesias de Meu Pai - Trovador

                                        À Poetisa M. Luisa B. Paiva

A vida
Despeja nos meus sonhos
Tanta dor.

          Não sou poeta,
          Não sou cantor;
          Misturo as letras,
          Sou trovador.

Menestrel empoeirado
Pelas sombras do passado
Vou deixando pelos caminhos
O rastro do viajor.

          Já atravessei floridos campos
          Riachos molharam-me os pés,
          Ascendi os pirilampos
          Com o facho do arrebol

Não sou poeta,
Não sou cantor;
Misturo as letras,
Sou trovador.

          Menestrel já tão cansado
          Com o fardo carregado
          Debaixo de chuva e sol.

Vou curvado, sonolento,
Pedindo ajuda ao tempo.

          Mas se escuto um rouxinol
          Quando seu canto embala a brisa,
          Sonoro, cadenciado;
          Choro também as saudades
          E as passadas tempestades
          Como chora Maria Luisa.

 José Florêncio Teixeira
4 de fevereiro de 2016

domingo, 23 de agosto de 2015

Cinco dias em Lisboa

Visitamos Lisboa no mês de junho, chegamos no dia 06/06 aproveitando o voo inaugural da TACV de Recife para Lisboa com escala em Cabo Verde. Não tivemos qualquer problema no voo, a empresa foi bastante pontual apesar das pompas e circunstâncias com toda a presença das autoridades pernambucanas e cabo verdenses no voo inaugural. Bom serviço de bordo e atendentes cordiais. Além do preço, que foi muito bom, quase metade do preço da TAP na época que compramos.
A escala em Cabo verde foi de aproximadamente duas horas. o Aeroporto é muito simples, nenhum comentário adicional sobre o mesmo.
Elétrico do Chiado
Chegamos em Lisboa às 12h apanhamos um táxi e fomos direto para o hotel. O serviço de táxi em Lisboa é muito bom a um preço bastante comparável com os demais serviços de transporte público, vale a pena fazer as contas antes de comprar os cartões diários de transporte que são vendidos em bancas de jornal, no metrô ou no aeroporto.
Ficamos hospedados no Pestana Palace Hotel, um antigo palácio localizado no bairro da Alcântara, relativamente próximo de alguns pontos turísticos como o Mosteiro de São Jerônimo e a Torre de Belém. O Hotel dispensa comentários, belíssimo, com uma maravilhosa infra-estrutura, um jardim magnífico, café da manhã perfeito, atendentes super prestativos e próximo dos pontos de transporte público como o ônibus (auto-carro) e os bondes (elétricos).
Vou descrever esta viagem dia após dia, assim fica mais fácil de perceber as proximidades dos pontos e se ter uma ideia do que fazer a cada dia.
No dia em que chegamos, como tínhamos pouco tempo, após deixar as malas no hotel, apanhamos um táxi e fomos para o Alto Chiado, na verdade tentamos ir, mas estava havendo um protesto na cidade e vários trechos estavam interrompidos e não conseguimos chegar no táxi até lá. Mas ficamos muito próximos. fizemos o resto do trecho a pé. Logo na chegada já vimos o famoso elétrico do Ascensor da Glória, paramos em uma padaria para fazer um lanche e continuamos nossa caminhada, passamos pelo elevador Santa Justa, seguimos o caminho descendo o Chiado em direção a Restauradores, pararmos para tomar uma Ginjinha e comemos uma sardinhas em um daqueles restaurantes que colocam as cadeiras na rua. Apreciamos a vista, tiramos algumas fotos e voltamos para o hotel.
Mosteiro dos Jerônimos
Segundo dia, domingo, aproveitamos a gratuidade, todo primeiro domingo do mês vários museus e monumentos históricos tem visita gratuita. Fizemos então um passeio a pé muito gostoso do hotel até a Torre de Belém, passando antes pelo Museu Nacional dos Coches, o Museu da Marinha, este último surpreende na ala das galeotas, sendo ambos muito bons e o Mosteiro dos Jerônimos, local de beleza impar tanto por fora, o que já bastaria, como por dentro. A Torre de Belém encanta pela história do lugar, vale a pena entrar e conhecer por dentro sua estrutura e subir até o topo da torre, voltamos a pé até a padaria dos pastéis de Belém, mas a fila ainda estava enorme e não paramos lá, talvez domingo não seja um bom dia para ir comprar os pastéis de Belém. Antes da padaria também tiramos umas fotos no monumento Padrão dos Descobrimentos . Para fechar o dia apanhamos um táxi e fomos ao Mercado da Ribeira para almoçarmos, comemos o famoso bacalhau, muito gostoso apesar de ser preparado de forma bastante simples. Depois do almoço fomos a pé até o Terreiro do Paço, paramos para contemplar o Rio Tejo durante a caminhada e depois seguimos a pé até o Castelo de São Jorge. No caminho até o castelo, ao chegarmos nas imediações da Igreja da Sé, acompanhamos uma procissão com cânticos muito bonitos. O Castelo de São Jorge (entrada 8,50 Euros) foi uma visita muito interessante, faltou apenas um mapinha mais detalhado para nos guiar lá dentro, o lugar é enorme e como já estávamos cansados de várias caminhadas durante o dia, saímos de lá mortos devido as várias subidas e descidas de escadas que fizemos tentando sair do castelo mas que não levavam a lugar algum, além de vistas maravilhosas. Na saída do castelo vimos algumas ruas enfeitadas para as festas de São João, que aliás são muito típicas na cidade de Lisboa durante todo o mês de Junho.
Oceanário de Lisboa
O terceiro dia reservamos para visitar o Oceanário e Cascais. Este foi o primeiro dia que começamos a usar os trasportes públicos, fomos até o Cais do Sodré, compramos o bilhete 24h para uso nos transportes públicos, dica: não joguem o bilhete fora pois o mesmo é recarregável. Como tínhamos baixado o aplicativo de Lisboa, ficou bastante fácil nos achamos nos meios de transporte da cidade. Apanhamos então o metrô (comboio) para o Parque das Nações, descendo na estação Oriente da linha verde. O Oceanário (entrada comprada antecipadamente pela internet por 15,30 Euros) é um lugar muito bonito, desde o seu entorno, com todo o espaço do Parque das Nações e Shopping até o próprio espaço do Oceanário, com os mais variados peixes, crustáceos e aves. O lugar é perfeito para as crianças mas também é muito interessante para os adultos, vale a pena a visita para quem gosta dos mistérios do mar. De lá apanhamos o comboio de volta para a estação Sodré e da Estação Sodré outro comboio para Cascais (bilhete comprado a parte por não fazer parte da região de Lisboa), onde almoçamos . A cidadezinha de Cascais é muito bonita, passamos pela praia da Rainha, da Conceição, fomos ao Forte Militar de Cidadela, almoçamos no Flamingo Café e ainda tivemos a sorte de ver um grupo de músicas típicas (Tunística Cascais) se apresentando no Largo 5 de Outubro.

Voltamos para Lisboa no final da tarde, novamente só o bagaço, mas felizes da vida.
No quarto dia fizemos um dia mais ameno, iniciando com uma visita ao Palácio da Ajuda, tentamos ir ao Jardim Botânico, mas estava fechado pois ainda era cedo, fomos então ao Palácio da Ajuda, e demos passadinha na Padaria dos Pastéis de Belém seguindo depois para o Museu do Azulejo. 
Terreiro do Paço visto do alto do Arco da Rua Augusta
Depois fomos até a Casa dos Bicos (entrada 3,00 Euros) onde funciona uma exposição permanente das obras de José Saramago, lugar super interessante para quem gosta do escritor e quer conhecer um pouco mais da sua história. Paramos na Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau da Rua Augusta para comprarmos os famosos pastéis de Bacalhau (3,45 Euros cada pastel, mas realmente vale a pena) e aproveitamos para comer nossos pastéis de Belém. Depois fomos ao Lisboa Story Centre (Memórias de Lisboa), o que teria sido muito bom se tivéssemos feito no primeiro dia, pois teríamos entendido melhor a história da cidade. Lá ainda ganhamos um ingresso para subir o Arco da Rua Augusta. Almoçamos no Restaurante Cervejaria Lisboa Portugal, onde novamente comemos um delicioso bacalhau servido por um garçom brasileiro, na Rua dos Correeiros, paralelo a Rua Augusta. Depois do almoço demos uma passada rápida no Museu de Fernando Pessoa e voltamos para o hotel. 
Palácio da Pena visto do Castelo dos Mouros
No quinto dia fomos para Sintra, onde tivemos a feliz ideia de subir a pé da estação ferroviária ao Palácio da Pena. Esta foi de longe a caminhada mais sofrida que fizemos em toda Europa, jamais façam isso, a caminhada realmente é muito longa e cansativa, apesar das paisagens belíssimas ao longo de todo o caminho, o ideal é subir de ônibus ou táxi e retornar a pé (o que também fizemos), passando no caminho de volta pelo Castelo dos Mouros e o Palácio de Cintra. Ainda paramos na Antiga Fábrica de Queijadas Finas da Piriquita, na Rua das Padarias, para comer travesseiros e as queijadas, docinhos típicos de Sintra.
Fechamos a noite, e a nossa estadia em Lisboa, com um jantar maravilhoso no Timpanas Fado & Food (bom fazer reserva antes por e-mail timpanas@timpanas.pt), recheado com danças típicas e músicas de Fado. 

sábado, 1 de agosto de 2015

Poesias de Meu Pai - Devaneio



À  minha mãe
Quando pelas escarpas da colina
Corre a sombra da noite lentamente,
E lá no topo o sino da capela
Mistura seu som aos tons do sol poente,

E os pássaros se aninham nas ramagens
Sussurrando baixinho os seus amores,
Também a onda se arrasta pela praia
Chamando pra o descanso os pescadores.

Sentado no aconchego da varanda
Eu procuro nas nuvens que se foram
As sombras que povoam o meu passado.

Nas lágrimas que só os poetas choram,
Desliza o teu retrato pela face
Do canto que jamais será cantado
Florêncio
6/7/2015